Tente não Rir

abril 26, 2010 por  
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Cinquenta anos de cortesia

bodas
Um casal de idosos comemora suas Bodas de Ouro após longos anos de matrimônio.
Enquanto tomavam juntos o café da manhã a esposa pensou:

- Por cinqüenta anos tenho sempre sido atenciosa para com meu esposo e sempre lhe dei a parte crocante de cima do pão. Hoje desejo, finalmente, degustar eu mesma essa gostosura.

Ela espalhou manteiga na parte de cima do pão e deu ao marido a outra metade.

Ao contrário do que ela esperava, ele ficou muito satisfeito, beijou sua mão e disse:

- Minha querida, tu acabas de me dar a maior alegria do dia. Por mais de cinqüenta anos eu não comi a parte de baixo do pão, que é minha preferida. Sempre pensei que eras tu que deverias tê-la, já que tanto a aprecias.

Do livro O Mercador e o Papagaio, de Nossrat Peseschkian, Papirus Editora

O biscoito

abril 25, 2010 por  
Arquivado em Destaques, Parábolas

o_bisoito
Certo dia uma moça estava à espera de seu vôo na sala de embarque de um aeroporto.

Como ela deveria esperar por muitas horas, resolveu comprar um livro para matar o tempo. Também comprou um pacote de biscoitos.

Então ela encontrou uma poltrona numa parte reservada do aeroporto para que pudesse descansar e ler em paz e ao lado dela sentou-se um homem.
Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Ela se sentiu indignada mas não disse nada.

Ela pensou consigo mesma: "Mas que cara de pau! Se eu estivesse em outro local, lhe daria um tapa na cara para que ele nunca mais se esquecesse".

Para cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um. Aquilo a deixava tão furiosa que ela não conseguia reagir. Restava apenas um biscoito e ela pensou: "O que será que o abusado vai fazer agora?"

Então o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela.

Aquilo a deixou irada e bufando de raiva. Ela pegou o seu livro e as suas coisas e dirigiu-se ao embarque. Quando sentou-se confortavelmente em seu assento, para surpresa dela, o seu pacote de biscoitos estava ainda intacto dentro de sua bolsa.

Ela sentiu muita vergonha, pois quem estava errada era ela e já não havia mais tempo para pedir desculpas. O homem dividiu os seus biscoitos sem se sentir indignado, ao passo que isto a deixou muito transtornada.

Quantas vezes em nossas vidas somos nós que estamos comendo os biscoitos dos outros e não temos a menor consciência de que os errados somos nós.

Autor Deconhecido

Onde está minha Virtude?

abril 23, 2010 por  
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Na espera doída que o tempo provoca,
aguardamos que algo bom aconteça,
moemos nossos sentimentos como camoca,
sobrando em nós as dores de cabeça.

A velha estrada já esquecida que passei,
deixou marcas, na pele e na lembrança,
os buracos fundos que na vida pisei,
me tornaram homem mesmo sendo criança.

A vela que acesa estava iluminando meu caminho,
eu mesmo apaguei, foi um erro aliado à minha atitude,
por isso hoje caminho na vida sem rumo e sozinho,
tentando me encontrar, encontrar em mim uma virtude.

Por: Adilson Costa

Quando a Morte Vier


Quando esse anjo de vestes branca ou negra chegar,
não tentarei me esconder ou correr rumo ao infinito,
irei encarar essa sina e deixarei ser levado,
ficarei ali parado,
pois eu sei que alguém me dedurou e não adianta fugir,
sabendo que pouco importará minha luta,
deixarei para traz a diária disputa,
que travo desde que nasci.
Saberei que é a minha hora,
hora de sumir de verdade,
hora de sair daqui.

Meu destino?
Onde estarei indo?
Importante não será,
pois meu destino fora traçado,
estando certo ou errado,
daqui serei levado.

Se existir vida além fronteiras,
se eu for levado ao céu ou ao inferno,
pouco me importa,
abrirei a porta e entrarei onde quer que seja,
e lá onde eu estiver,
continuarei sendo eu mesmo,
contando piadas sem graça,
sem rodeios, sem mágicas,
tentando animar os outros sempre,
tentando transmitir o pouco de energia que tenho,
e se não gostarem de mim mando todos ao "inferno",
e me mandem de volta,
pois mesmo não sendo um mundo descente,
eu 'amo' essa gente,
que me deduraram ao "Anjo da Morte",
mas eles não sabiam que eu não creio em sorte,
creio sim em merecimento,
creio em aproveitamento,
mas já aviso!
Caso eu volte,
nada mudarei,
continuarei sendo quem sou,
não terei em mim nenhuma revolta,
e se continuar a não agradar alguns,
que o 'Anjo' retorne e me leve de Volta.

Por: Adilson Costa

Ouça essa Poesia:
 

Chance a si Mesma

abril 23, 2010 por  
Arquivado em Destaques, Poesias


Saí do nada, em meio ao nada,
somente para te dizer um oi,
de certo eu seja um ninguém,
e me perguntas porque te conhecer?
Daria a ti dezenas de motivos,
mas aqui não explicarei isso,
quero te conhecer e só,
somente para te perguntar "como vai?"
Então por favor desencana,
quero saber da sua semana e
se seus problemas diminuíram.

Não quero desviar-te do seu caminho,
continue ele rumo aos seus sonhos,
mas não se lastime por ti mesma,
essa tua fase gama ou sei lá o que,
pode passar ou não, depende de ti somente,
não espere o tempo assobiar dando
o final da partida sem ao menos você
ter-se arriscado ao jogo.

Sai dos arbusto onde se escondes,
saia para matar os leões na qual
se acostumou a degolar com o tempo.
Quem sabe dessa vez ao sair de
seu esconderijo os leões não serão tão grandes
quanto costumavam ser?

Ouse, arrisque-se, permita-se,
e se você sentir estar errada relaxe,
erros são a essência dos acertos, são
o caminho rumo ao sucesso ou não,
e se não for o sucesso "foda-se tudo",
vamos abrir uma cerveja e comemorar o hoje,
porque nós merecemos uma chance.

Por: Adilson Costa

David Fonseca – “Kiss Me, Oh Kiss Me”

Quem é dono da natureza? – Parábola

natureza_
Carta que o cacique Índio Seattle, da tribo Duwamish, do Estado de Washington, escreveu ao Presidente Franklin Pierce, dos Estados Unidos, em 1855, depois de o governo ter dado a entender que desejava adquirir o território da tribo. Ecologia é uma palavra nova, mas o raciocínio ecológico não foi criado pelos homens de hoje. Leiam e aprendam!

"O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas - elas não empalidecem.

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é-nos estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.

O homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos das campinas, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, não. Porque esta terra é para nós sagrada!

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra e seu irmão - o céu como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.

Não há um sequer lugar calmo nas cidades do homem branco: Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. O barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou recendendo a pinheiro.

O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô 0 seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: O homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que, (nós - os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.

Deves ensinar teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados. Para que tenham respeito ao nosso país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos; que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se as homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.

De uma coisa sabemos: A terra não pertence ao homem; é o homem que pertence à terra. Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une família. Tudo está relacionado entre si.

Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama de vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará. Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmo uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver. De uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia a descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que O podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por Ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu Criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continua poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios dejetos! Porém, ao parecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial; lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça. O fim da vida e o começo da luta para sobreviver.

Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos pára o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos. E por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometeste. Lá, talvez possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos. Depois de o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas florestas e praias, porque nós as amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse! E com toda a tua força, o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nós ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é por Ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.

Traduzido dos fragmentos publicados na revista Norsk Natur 10 (1), 1974, Oslo e United Nations. Enviroment Programme - Media Pack'76, por ROBERTO TAMARA.

A VERDADE E A PARÁBOLA (CONTO JUDAICO)

abril 21, 2010 por  
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Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

— Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

— Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.

— Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.

Autor:  Conto Judaico

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.

Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

*


Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.

O melhor de todos

azalaeis

Meu dia começou a azedar quando vi meu menino de seis anos com um galho cheio de minhas azaléas.

- Posso levar estas flores para a escola? Ele pediu. Com um aceno de mão, eu o mandei para fora. Me virei para que ele não percebesse as lágrimas em meus olhos. Eu adoro aquela azaléa. Eu toquei no galho quebrado como que a dizer-lhe silenciosamente,

- Sinto muito. Para complicar um pouco mais o meu dia, a máquina de lavar quebrou e quando Jonathan perguntou o que eu faria para o almoço, percebi que estava com a geladeira vazia e não tinha muitas opções. Dias como este me fazem querer parar e desistir de tudo. Eu apenas queria fugir até as montanhas, me esconder em uma caverna e nunca mais colocar a cara para fora. De algum modo eu consegui arrastar a roupa molhada até o tanque. Eu passei a maior parte do dia lavando roupa e pensando em como o amor tinha desaparecido de minha vida. Quando eu terminei de pendurar a última das camisas de meu marido, olhei o relógio: duas e meia. Eu estava atrasada.

A aula de Jonathan terminava às 2:15. Fui correndo para a escola. Ofegante, bati na porta da sala e olhei através do vidro. A professora fez sinal para que eu esperasse. Ela disse algo a Jonathan e entregou para ele e para outras duas crianças, lápis de cera e uma folha de papel. O que virá agora? Eu pensei quando, através da porta, ela pediu que eu entrasse na sala.

- Quero lhe falar sobre o Jonathan. Ela disse. Me preparei para o pior. Nada mais me surpreenderia naquele dia.

- Você sabe das flores trazidas por Jonathan à escola hoje? Ela perguntou. Eu respondi que sim, lembrando de meu arbusto favorito e tentando esconder a mágoa em meus olhos. Eu olhei de relance para meu filho que estava ocupado colorindo um desenho. Seu cabelo ondulado estava muito comprido e caía em sua testa. Seus olhos azuis brilhavam enquanto admirava sua obra.

- Deixe-me contar sobre o que aconteceu ontem, a professora continuou. Está vendo aquela menina? Eu olhei para a menina que ria divertida, apontando um desenho na parede e assenti.

- Bem, ontem estava quase histérica. Seus pais estão atravessando um momento muito difícil, estão se divorciando. Ela disse que não queria mais viver. E disse bem alto, com o rosto escondido entre as mãozinhas, para toda a sala ouvir: "ninguém me ama". Eu fiz tudo o que pude para consolar, mas parecia que nada mais importava.

- Eu achei que você queria me falar sobre Jonathan. Eu interrompi.

- Eu vou, ela disse. Hoje seu filho entrou e foi direto até ela. Ele entregou a ela algumas bonitas flores e sussurrou "eu te amo". Senti meu coração inchar-se de orgulho com o que meu filho tinha feito. Eu sorri para a professora.

- Obrigada, eu disse, puxando Jonathan pela mão. - Você salvou o meu dia. Mais tarde, eu arrancava ervas daninhas em torno de meu desequilibrado arbusto de azaléa. Pensando no amor que Jonathan demonstrou pela menina, um verso bíblico me veio à memória: "... estes três permanecem: a fé, a esperança e o amor. Mas o maior de todos é o amor."

Enquanto meu filho tinha colocado o amor na prática, eu tinha apenas sentido raiva. Eu ouvi o barulho familiar do carro de meu marido entrando na garagem. Eu arranquei um pequeno galho de azaléas e corri até ele. Eu senti a semente do amor que Deus plantou em minha família recomeçar a florescer em mim. Meu marido arregalou os olhos de surpresa quando eu lhe entreguei as flores e disse, - Eu te amo

Autora:

Nanette Thorsen-Snipes

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” Não peço a Deus uma estrada sem obstáculos, peço coragem para escalar alturas, força para superar as intempéries da viagem, ânimo nos momentos de exaustão e cerveja gelada quando me der sede” Adilson Costa