Matar a Saudade
janeiro 28, 2012 por Adilson Costa
Arquivo em Destaques, Poesias

Quero matar a saudade com um tiro,
eu iria jogá-la longe de mim,
olhar nos olhos dela em seu último suspiro,
e dizê-la "esse é seu fim".
Distante desejo esse meu,
pois são tantas saudades a me consumir,
saudade dos beijos seus,
saudade de pessoas que decidiram partir.
E com suas partidas levaram um pedaço de mim,
os pedaços que fiquem por lá onde estiverem,
queria ter a chance de cuidar melhor do jardim,
de cuidar das flores que ganhei,
que com meu desprezo as joguei,
hoje vejo que eram as flores que sempre sonhei,
saudade "cretina" porque simplesmente não morre?
Porque não se joga no precipício que fizestes em mim?
Será que sentes prazer em meu sofrimento?
Sim sente, tenho plena convicção,
então tu serás minha eterna inimiga,
e direi aos ventos,
que farei o possível para te matar,
não que eu não suporte a dor,
mas você sorri de mim,
sorri enquanto choro,
não deixarei você fugir,
será minha prisioneira enquanto eu respirar,
e quem sabe quando eu partir,
levarei você comigo e assim conseguirei te matar.
Por: Adilson Costa
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Bons Tempos
novembro 14, 2011 por Adilson Costa
Arquivo em Destaques, Poesias

Esquecido está nosso tempo de criança,
saudades da modas de viola nas noites de São João,
da fogueira e do pau de sebo,
cai no poço e passar anel,
brincadeiras sadias sem malicia,
saudade do primeiro beijo
que sem dormir eu fiquei.
Meu cachorro leão que de leão nada tinha,
mas era companheiro nas pescarias do riacho,
saudades dos amigos de escola,
dos bons papos do recreio,
das paqueras e dos olhares,
dos recadinhos no papel.
Saudades de minha pipa de caderno,
colada com farinha de trigo e água,
onde eu apanhava escondido a linha de
minha finada mãe.
Saudades dos bons tempos,
hoje as crianças não brincam como antigamente,
não interagem entre si,
quando se encontram é para lutar,
as paqueras de escola viraram sexo,
os beijos nada trazem novidades,
as festas do Santo João se foram,
a viola está desaparecendo.
Hoje tenho outro cão,
mas em nada parece com o leão de infância,
é um bom cachorro acima de tudo
isso não posso negar.
Sinto-me triste ao ver as pipas de hoje,
cortam o céu como naves,
são armas de guerra,
são navalhas cortantes,
são frutos de uma infância perdida,
onde a disputa,
onde a conquista ganhou da camaradagem.
Bons momentos aqueles,
momentos que eternizo em palavras,
sabendo que momentos assim
fizeram parte da nossa história,
mas o pior é saber que momentos assim
somente vivem em nossa memória.
Por: Adilson Costa
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