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Quarta, 23 Julho 2025 17:34

Apenas 12 grandes cidades investem o necessário em saneamento no Brasil

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Poluição é maior no nordeste e Baixada Fluminense Poluição é maior no nordeste e Baixada Fluminense Foto: Ospsn Ali/Unsplash+

Estudo mostra que maioria dos municípios mais populosos está longe do ideal para universalizar serviços de água e esgoto

Um levantamento do Instituto Trata Brasil revelou que apenas 12 dos maiores municípios brasileiros investem acima da média ideal para alcançar a universalização dos serviços de água e esgoto. A pesquisa, elaborada em parceria com a consultoria GO Associados, analisou dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2023 e mostra um cenário preocupante de subinvestimento no setor, mesmo entre os municípios mais populosos do país.

Entre os 20 municípios mais bem colocados no ranking de 2025, nove são do estado de São Paulo — como Campinas, Limeira, Santos e Jundiaí —, cinco são do Paraná, três de Minas Gerais, dois de Goiás e apenas um do Rio de Janeiro, Niterói. Segundo o levantamento, essas cidades lideram em investimento médio por habitante, ainda que a média de R$ 176,39 por pessoa entre 2019 e 2023 fique cerca de 20% abaixo do valor ideal, de R$ 223 anuais. O estudo aponta que, como esses locais já têm cobertura avançada, essa diferença não compromete o atingimento das metas de saneamento.

A situação é crítica nos municípios na parte de baixo da lista. Entre os 20 piores estão cidades como Recife, Maceió, Manaus, São João de Meriti e Duque de Caxias, com investimentos médios de apenas R$ 78,40 por habitante, 65% abaixo do mínimo recomendado. O relatório destaca que esses valores são incompatíveis com a necessidade de ampliação da rede de saneamento, indicando a urgência de ações por parte das administrações locais.

O panorama dos serviços de abastecimento de água mostra avanços, mas ainda há grandes desigualdades. A média de cobertura entre os 100 municípios mais populosos é de 93,91%, porém dez deles ainda têm menos de 80% da população atendida. Porto Velho (RO) tem o pior índice, com apenas 35,02% de cobertura. Já no esgotamento sanitário, os números são ainda mais alarmantes: a média nacional é de 77,19%, com destaque negativo para Santarém (PA), com apenas 3,77%.

Futuro comprometido

No quesito tratamento de esgoto, a média nacional é de 65,11%, mas cinco cidades tratam menos de 10% de seus efluentes, o que representa risco ambiental e à saúde pública. Além disso, a perda de água na distribuição é outro gargalo persistente: a média de desperdício nos 100 maiores municípios é de 45,43%, quase o dobro do limite de 25% considerado aceitável pelas diretrizes do setor.

O estudo alerta que, sem mudanças urgentes na gestão e nos investimentos, o Brasil não conseguirá cumprir as metas de universalização previstas no marco legal do saneamento. Os municípios que investem menos estão comprometendo não só o presente, mas o futuro da população, principalmente nas regiões mais vulneráveis, conclui o relatório.

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