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O governo dos Estados Unidos anunciou um recuo significativo na acusação contra o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, ao retirar, em uma nova versão de documento judicial, a alegação de que ele liderava o suposto Cartel de los Soles, organização que teria atuado no tráfico internacional de drogas.
A alteração foi divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA após a captura de Maduro durante uma operação militar realizada em Caracas no último sábado (3), que resultou na detenção do ex-mandatário e na sua transferência para Nova York para responder a acusações criminais nos tribunais americanos.
Na acusação original, apresentada em 2020, o termo Cartel de los Soles aparecia mais de 30 vezes, com menções explícitas de que Maduro teria ajudado a administrar e liderar a organização criminosa. Essa caracterização era frequentemente citada por autoridades dos EUA, incluindo o presidente Donald Trump, ao justificar ações de pressão e sanções contra o governo chavista.
Na nova versão da peça acusatória, no entanto, o suposto cartel é mencionado apenas duas vezes e não é mais descrito como uma entidade formal — com hierarquia e comando definidos — mas sim como um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” ligada a práticas de narcotráfico, corrupção e enriquecimento de elites venezuelanas.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o ajuste reflete dificuldades jurídicas em provar a existência de um cartel organizado sob aquele nome, termo que havia sido popularizado originalmente pela mídia venezuelana para descrever redes de corrupção dentro das forças armadas do país.
Apesar da mudança na linguagem, o Departamento de Justiça continua acusando Maduro de crimes relacionados ao narcotráfico, incluindo conexões com grupos armados e cartéis estrangeiros, além de corrupção sistêmica. Autoridades americanas sustentam que essas condutas contribuíram para a distribuição de drogas em escala internacional.
O recuo sobre a acusação de liderança do Cartel de los Soles ocorre em meio a um contexto de fortes tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e a Venezuela, com múltiplas nações e organismos internacionais criticando a operação americana como violação da soberania venezuelana. O impacto político e jurídico dessa mudança na peça acusatória ainda deve repercutir nos próximos dias.