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Sábado, 26 Julho 2025 08:10

Brasil deixa aliança sobre Holocausto e agrava crise com Israel

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Bandeira da Organização dos Estados Americanos Bandeira da Organização dos Estados Americanos Foto: Depositphotos

Comissário da OEA vê “equívoco” na saída da IHRA em meio à pior tensão diplomática entre os dois países em décadas

A decisão do governo brasileiro de deixar a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, IHRA, na qual o Brasil atuava como membro observador desde 2021, foi duramente criticada nesta sexta-feira, 25, por Fernando Lottenberg, comissário da Organização dos Estados Americanos, OEA, para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo. Segundo ele, a medida é “um equívoco”, especialmente em meio ao acirramento das tensões diplomáticas com Israel, provocadas por divergências sobre a guerra na Faixa de Gaza.

Desde o início do novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, as relações entre Brasília e Tel Aviv se deterioraram significativamente. O governo de Israel acusa o Brasil de manter uma postura pró-Hamas, enquanto o presidente brasileiro tem criticado duramente as ações militares israelenses contra os palestinos. Mais de 50 mil pessoas já morreram na Faixa de Gaza desde o início do conflito, e Lula tem denunciado o que considera excessos de Israel.

O ápice do conflito diplomático ocorreu em fevereiro de 2024, quando Lula comparou as ações israelenses em Gaza ao Holocausto promovido pelos nazistas contra os judeus. A declaração causou forte repercussão internacional e resultou na declaração de Lula como persona non grata por parte de Israel. Como resposta, o Brasil retirou seu embaixador em Tel Aviv e, até hoje, não aprovou o nome do novo embaixador israelense indicado para Brasília, agravando ainda mais a crise entre os países.

Compromisso histórico

A saída da IHRA, segundo a chancelaria israelense, também estaria ligada ao apoio público do Brasil à ação judicial da África do Sul na Corte Internacional de Justiça, que acusa Israel de genocídio em Gaza. Para Lottenberg, no entanto, a decisão brasileira compromete um compromisso importante com a memória histórica e o combate ao antissemitismo. Ele argumenta que “discordâncias diplomáticas não têm relação com o trabalho de extrema relevância da IHRA”. 

Lottenberg lembra que o Brasil abriga a segunda maior comunidade judaica da América Latina e que sua participação na IHRA simboliza o compromisso com a educação, a cultura de paz e a preservação da memória do Holocausto. A organização intergovernamental foi criada em 1998 justamente para unir esforços internacionais contra o antissemitismo e promover a lembrança dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Ao se afastar desse esforço, diz o comissário, o Brasil envia um sinal negativo ao mundo em um momento de tensão crescente.

Última modificação em Sábado, 26 Julho 2025 08:54
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