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Presidente volta a criticar bloqueio econômico aos cubanos e reage à revogação vistos de autoridades brasileiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, classificando-o como injusto e prejudicial ao povo caribenho. Em discurso nesta quinta-feira, 14, Lula reafirmou o respeito do Brasil à soberania cubana e criticou as sanções mantidas há mais de 60 anos, desde o Golpe Militar de 1959, quando se instalou o regime ditatorial na ilha. Para o presidente, a política norte-americana visa enfraquecer o governo cubano, mas acaba punindo principalmente sua população.
A declaração de Lula veio um dia após o governo dos EUA anunciar a revogação de vistos de autoridades brasileiras. Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, a medida também atinge ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e familiares, todos envolvidos na coordenação de programas de intercâmbio entre profissionais cubanos e brasileiros. A decisão foi recebida no Palácio do Planalto como um gesto de pressão política em um momento de tensões diplomáticas.
Gesto hostil
Entre os atingidos pela sanção estão Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais da pasta e hoje coordenador-geral da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), prevista para 2025. Ambos tiveram papel de destaque em projetos conjuntos com Cuba, especialmente na área de saúde pública.
Lula classificou a decisão norte-americana como um gesto hostil e reafirmou que o Brasil não abrirá mão da cooperação com Cuba em áreas estratégicas, sobretudo na saúde. Ele destacou a importância de programas como o Mais Médicos, que levaram atendimento a regiões remotas do país onde profissionais brasileiros não aceitavam atuar. Para o presidente, iniciativas desse tipo representam a solidariedade internacional que deve se sobrepor a disputas ideológicas e conflitos diplomáticos.