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Quarta, 29 Abril 2026 07:09

Disputa cresce e torna mais provável uma eleição em dois turnos

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A disputa interna pela candidatura própria da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, aprofundou a divisão entre os grupos políticos liderados pelo senador Jayme Campos e pelo governador Mauro Mendes, criando um cenário de instabilidade que pode influenciar diretamente as eleições de 2026 em Mato Grosso.

Na última segunda-feira (27), Jayme voltou a defender publicamente uma candidatura própria do União Brasil ao governo estadual, contrariando a estratégia de Mauro Mendes, que trabalha pela consolidação de uma aliança em torno do vice-governador Otaviano Pivetta, filiado ao Republicanos.

A divergência expôs de vez a fissura dentro da federação. Nos bastidores, aliados dos dois grupos já admitem dificuldades para reconstruir a unidade política, independentemente da decisão que venha a ser tomada pela legenda.

Enquanto Jayme mantém o discurso de independência e fortalecimento do União Brasil, Mauro Mendes atua para evitar uma ruptura formal. Em Brasília, o governador teria buscado apoio da direção nacional da federação, comandada por Antonio Rueda e pelo senador Ciro Nogueira, para conter o avanço da candidatura própria.

O ex-governador Blairo Maggi também entrou no debate e defendeu a construção de um palanque unificado, alertando que a ausência de Jayme Campos no grupo pode comprometer as chances eleitorais do bloco governista.

A tensão ficou evidente durante a Norte Show, em Sinop, onde Jayme, Mauro, Pivetta, Julio Campos e o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini participaram de agendas conjuntas ao lado do senador Flavio Bolsonaro. Apesar da aparente cordialidade, o clima político seguiu distante de um consenso.

Horas depois do encontro, Jayme reafirmou sua pré-candidatura ao governo. Já aliados de Mauro Mendes, representados pela senadora Margareth Buzetti, defenderam publicamente a tendência de apoio da federação à reeleição de Pivetta.

O episódio relembra a eleição municipal de Cuiabá em 2024, quando o então candidato do União Brasil, Eduardo Botelho, teve sua candidatura enfraquecida por declarações de aliados do Palácio Paiaguás. Na ocasião, Abilio Brunini avançou ao segundo turno contra Ludio Cabral e acabou eleito prefeito da capital.

Agora, a fragmentação política pode abrir espaço para um cenário inédito em Mato Grosso. Com possíveis candidaturas de Jayme Campos, Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko, cresce a possibilidade de o estado ter, pela primeira vez desde a Constituição de 1988, uma eleição para governador decidida em segundo turno.

Até hoje, todas as disputas pelo Palácio Paiaguás foram definidas ainda no primeiro turno. O atual cenário, marcado por divisões internas, alianças instáveis e múltiplas candidaturas competitivas, aponta para uma corrida eleitoral mais aberta e imprevisível.

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