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Segunda, 28 Julho 2025 17:16

Lula em rota de colisão com montadoras: pacote pró-China ameaça empregos no setor automotivo

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Fábricas brasileiras podem demitir em massa Fábricas brasileiras podem demitir em massa Foto: Unsplash +/Carlos Aranda

Volkswagen, Toyota, GM e Stellantis alertam para demissões em massa caso governo insista em medida que favorece empresas chinesas

O setor automotivo brasileiro entrou em estado de alerta após as quatro maiores montadoras instaladas no país — Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis — enviarem uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última semana, advertindo sobre os riscos econômicos e sociais de um novo pacote industrial em gestação no Palácio do Planalto. Coordenada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, a proposta pretende incentivar a produção de veículos montados a partir de peças 100% importadas, o chamado sistema SKD, que beneficiaria sobretudo montadoras chinesas.

As empresas acusam o governo de colocar em risco a indústria nacional ao fomentar uma estrutura produtiva que exclui a fabricação local de peças e componentes. Segundo os executivos, a medida anularia parte do esforço recente de reindustrialização: das promessas de R$ 180 bilhões em investimentos até 2030, ao menos R$ 60 bilhões seriam retirados da mesa. Além disso, as montadoras preveem o cancelamento de 10 mil novas contratações e a demissão imediata de 5 mil trabalhadores já empregados no setor.

Efeito cascata

O impacto, alertam as empresas, não se restringiria apenas às montadoras. Cada emprego eliminado nas fábricas principais pode resultar na perda de outros dez em fornecedores e prestadores de serviço da cadeia automotiva — um efeito cascata com potencial devastador para a economia de dezenas de municípios. O documento, que permanece sem resposta oficial do governo até o momento, tenta frear a adoção do modelo SKD, considerado um atalho desindustrializante.

Nos bastidores de Brasília, a pressão das montadoras encontra resistência entre alas do governo favoráveis à aproximação com empresas chinesas, vistas como chave para a eletrificação da frota brasileira. No entanto, o silêncio do Planalto diante de um alerta dessa magnitude vem sendo interpretado como sinal de que Lula está disposto a bancar o desgaste político em nome de um novo alinhamento estratégico. O impasse promete esquentar a já conturbada relação entre o governo e o setor privado às vésperas de um ano eleitoral.

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