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Quarta, 10 Dezembro 2025 09:56

Inflação oficial sobe 0,18% em novembro e volta ao limite da meta após 13 meses

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A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançou 0,18% em novembro, informou o IBGE nesta quarta-feira (10). Com o resultado, o índice acumula alta de 4,46% em 12 meses, retornando ao limite superior da meta do governo, de 4,5%, após 13 meses acima da faixa de tolerância.

No período de 12 meses encerrado em outubro, a inflação era de 4,68%. Em abril, o acumulado chegou ao pico de 5,53%.

O resultado de novembro é o menor para o mês desde 2018, quando houve deflação de 0,21%. Em outubro, o IPCA havia registrado alta de 0,09%.

Passagens aéreas pressionam índice

A principal influência para a aceleração de outubro para novembro veio das passagens aéreas, que subiram 11,9%, respondendo por 0,07 ponto percentual da inflação do mês.

Veja o desempenho dos grupos pesquisados:

  • Alimentação e bebidas: -0,01% (0,00 p.p.)
  • Habitação: 0,52% (0,08 p.p.)
  • Artigos de residência: -1,00% (-0,03 p.p.)
  • Vestuário: 0,49% (0,02 p.p.)
  • Transportes: 0,22% (0,04 p.p.)
  • Saúde e cuidados pessoais: -0,04% (0,00 p.p.)
  • Despesas pessoais: 0,77% (0,08 p.p.)
  • Educação: 0,01% (0,00 p.p.)
  • Comunicação: -0,20% (-0,01 p.p.)

Dentro de despesas pessoais, o subitem hospedagem apresentou forte alta de 4,09%, puxado pelo salto de 178% em Belém devido à demanda provocada pela realização da COP30.

Energia elétrica é o item que mais pesa na inflação do ano

A energia elétrica residencial avançou 1,27% em novembro, com impacto de 0,05 p.p., após reajustes tarifários em Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre.

A conta de luz é o item que mais contribuiu para a inflação em 2025 e em 12 meses:

  • Alta em 2025: 15,08%
  • Alta em 12 meses: 11,41%
  • Contribuição ao IPCA acumulado: 0,46 p.p. dos 4,46%

Na alimentação, itens importantes tiveram recuo e ajudaram a conter a inflação:

  • Leite longa vida: -4,98%
  • Tomate: -10,38%
  • Arroz: -2,86%
  • Café moído: -1,36%

Meta e expectativas

A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — ou seja, até 4,5%.

Desde 2025, o cumprimento da meta passa a ser avaliado pelos 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas pelo resultado de dezembro. O intervalo é considerado rompido se o IPCA ultrapassar o teto por seis meses consecutivos.

Segundo o boletim Focus divulgado na segunda-feira (8), o mercado projeta inflação de 4,40% para o fechamento de 2025.

De acordo com o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, caso a inflação de dezembro fique em até 0,56%, o IPCA encerrará o ano dentro do limite da meta. O resultado será divulgado em 9 de janeiro.

Gonçalves lembrou que a mudança da bandeira tarifária da conta de luz tende a aliviar o índice:

  • Novembro: vermelha patamar 1 (R$ 4,46 a cada 100 kWh)
  • Dezembro: amarela (R$ 1,885 a cada 100 kWh)

Selic permanece em foco

O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia nesta quarta-feira a nova taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006.

A alta dos juros, iniciada em setembro de 2024 para conter a inflação, reduz consumo e investimentos, esfriando a economia e pressionando especialmente os preços de serviços — que avançaram 0,60% em novembro. Os preços monitorados subiram 0,21%.

Como o IPCA é calculado

O índice mede o custo de vida de famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Os preços de 377 subitens são coletados em dez regiões metropolitanas e outras capitais, incluindo Brasília, Goiânia, Campo Grande, São Luís, Rio Branco e Aracaju.

O salário mínimo considerado é de R$ 1.518.

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