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Domingo, 20 Julho 2025 14:03

Aos 93 anos, morre em São Paulo José Maria Marin, ex-presidente da CBF

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José Maria Marin, ex-presidente da CBF José Maria Marin, ex-presidente da CBF Foto: Divulgação/CBF

Símbolo da velha política e dos escândalos do futebol, dirigente ficou marcado por autoritarismo, alianças polêmicas e corrupção


José Maria Marin, ex-presidente da CBF, e uma das figuras mais controversas da história recente do futebol e da política brasileira, morreu na madrugada deste domingo, 20, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, aos 93 anos. Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2015, período que terminou em desgraça com sua prisão por corrupção no maior escândalo esportivo do planeta, o Fifagate.

Antes de ocupar o cargo mais alto do futebol brasileiro, o cartola trilhou um caminho político alinhado à repressão e ao conservadorismo. Começou como vereador pelo obscuro Partido da Representação Popular, PRP, legenda de viés integralista, e se aproximou do regime militar ao se filiar à Arena. Em 1969, presidiu a Câmara Municipal de São Paulo em plena ditadura. Anos depois, foi deputado estadual e, em 1978, virou vice-governador. Assumiu o governo do Estado de São Paulo entre 1982 e 1983, período marcado por contas públicas reprovadas e suspeitas de favorecimento em empréstimos com dinheiro público.

Sua gestão no Palácio dos Bandeirantes foi manchada por denúncias de má gestão e suspeitas de desvios. A relação simbiótica com Paulo Maluf, outro expoente do fisiologismo e da política clientelista, lhe rendeu o apelido de “irmão siamês” do então governador. Ambos se tornaram símbolos de uma era de conchavos, blindagens e escândalos financeiros.

No esporte, Marin buscou reconstruir sua imagem, mas seu passado o acompanhou. Herdou a paixão pelo boxe do pai, mas no futebol foi apenas um coadjuvante nos gramados, jogando em times menores como São Bento de Marília, e Jabaquara — no São Paulo Futebol Clube jogou apenas na categoria de aspirantes. Após se formar em Direito pela USP, assumiu cargos administrativos e presidiu a Federação Paulista de Futebol entre 1982 e 1988. Chegou à presidência da CBF em 2012, apostando em técnicos consagrados como Felipão e Parreira, mas manteve práticas arcaicas e centralizadoras no comando da entidade.

Fifagate

Sua queda foi brutal. Em 2015, Marin foi preso em um hotel de luxo na Suíça, alvo de uma operação do FBI que revelou um esquema bilionário de corrupção envolvendo dirigentes da FIFA. Foi extraditado para os Estados Unidos, condenado por lavagem de dinheiro, conspiração e recebimento de propinas em contratos milionários com empresas de marketing esportivo. O escândalo chocou o mundo e expôs as entranhas podres do futebol internacional — e, mais ainda, o papel do Brasil nesse esquema.

Após a condenação, Marin, alegando problemas de saúde, passou a cumprir prisão domiciliar, em um luxuoso apartamento na Trump Tower, em Manhattan, Nova York. Mantinha uma rotina discreta e elitista, sustentada pela venda de imóveis de alto valor, como uma mansão no Jardim Europa, em São Paulo. Sua morte encerra a trajetória de um personagem que simbolizou o que o Brasil tem de mais atrasado na política e no esporte: o autoritarismo, o clientelismo e a corrupção sistêmica.

Última modificação em Quarta, 23 Julho 2025 14:44
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