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Eagle exige saída de John Textor de SAF para negociar venda do Botafogo; Justiça mantém americano no poder por ora
O Botafogo virou refém de uma guerra de bastidores que mistura orgulho, desconfiança, e interesses bilionários. No centro do impasse está John Textor, que quer comprar de volta o controle do clube que já comanda — uma manobra que seus ex-sócios na Eagle Football Holdings consideram absurda. Para a holding, liderada por nomes como Michelle Kang (hoje à frente do Lyon), o americano só poderá fazer oferta se largar o volante. Ser juiz e jogador ao mesmo tempo é, para eles, inaceitável — ainda mais quando se suspeita que a intenção real seja derrubar o valor de mercado da SAF para levá-la a preço de liquidação.
A Eagle não se opõe à venda do Botafogo, mas quer evitar o que vê como uma armadilha montada por um dirigente em desgraça. Depois do desastre administrativo que culminou no rebaixamento do Lyon, Textor perdeu o apoio de seus antigos aliados — e, por isso, agora, tenta se reinventar como comprador. Sua estratégia passa pela criação de uma nova empresa nas Ilhas Cayman e pela aproximação com o magnata grego Evangelos Marinakis, em uma tentativa de levantar fundos e contornar a exigência dos sócios. Mas o problema permanece o mesmo: ele quer comprar sem sair do comando, o que alimenta suspeitas de conflito de interesse, e abre caminho para disputas jurídicas cada vez mais complexas.
Sem alterações
Apesar de considerar outras alternativas, como negociar com terceiros ou até manter o clube no portfólio com um novo gestor, a Eagle esbarra na realidade política e judicial. O clube associativo, sócio minoritário da SAF, e detentor de direitos de veto, segue aliado a Textor, e rejeita sua saída. E a Justiça brasileira, por ora, impede qualquer mudança. Na quarta-feira, a 3ª Vara Empresarial do Rio congelou alterações no controle da SAF, e manteve o americano à frente da operação, com base em empréstimos feitos por ele em nome da Eagle, e cobrados pela própria SAF.
A crise entre Textor e seus antigos sócios se intensificou após o rebaixamento do Lyon à segunda divisão francesa, episódio que resultou em sua destituição da Eagle e aprofundou a ruptura. Agora, o Botafogo se vê paralisado em meio ao impasse. De um lado, a Eagle exige a saída do dirigente para negociar; do outro, Textor se agarra ao cargo, e quer forçar a compra. Enquanto isso, o futuro do clube permanece indefinido, com o risco de mais instabilidade à frente.