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A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) reforça a importância da testagem rápida para detecção precoce e início imediato do tratamento do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). A ação integra a campanha Dezembro Vermelho, que estimula a população a realizar o teste, conhecer sua sorologia e, em caso de resultado positivo, iniciar o acompanhamento adequado.
Os testes gratuitos podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Serviços de Assistência Especializada (SAE) e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). O resultado fica pronto em menos de 30 minutos. Também estão disponíveis exames para outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis e hepatites B e C.
Segundo a secretária adjunta de Atenção e Vigilância à Saúde em substituição, Alessandra Moraes, o Estado tem ampliado estratégias em parceria com os municípios para orientar as unidades sobre a necessidade de ofertar testagem rápida de forma contínua. O objetivo é garantir diagnóstico precoce, início imediato do tratamento e supressão viral por meio do uso constante de antirretrovirais.
O HIV ataca o sistema imunológico e enfraquece as defesas naturais do organismo. Sem tratamento, a infecção evolui para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), estágio mais avançado da doença.
De acordo com Maria José Santos, da área técnica de HIV/Aids da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da SES, todos os casos confirmados são encaminhados prontamente aos SAE para início da terapia antirretroviral. Ela destaca que, quando o tratamento é realizado corretamente, a carga viral pode se tornar indetectável em menos de seis meses — condição em que o vírus se torna intransmissível, princípio conhecido como “Indetectável = Intransmissível (I=I)”. O uso contínuo dos medicamentos também permite a recuperação do sistema imunológico.
As estratégias de prevenção disponíveis incluem o uso de preservativos, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e serviços de redução de danos voltados para pessoas que utilizam drogas injetáveis.
Em Mato Grosso, a via sexual é a principal forma de transmissão do HIV, especialmente entre pessoas autodeclaradas heterossexuais, o que contribui para desconstruir o estigma historicamente associado à população LGBT.
Entre 2019 e 2025, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registrou 6.456 casos de HIV no estado. No mesmo período, foram notificados 2.469 casos de Aids e, segundo o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), 1.224 óbitos causados pela doença.
Somente em 2024, a SES distribuiu 304.770 testes de HIV aos municípios, dos quais 210.901 haviam sido aplicados até novembro. Além disso, equipes estaduais têm realizado capacitações para ampliar a rede de unidades que ofertam testagem em todas as 16 regionais de saúde.
Atualmente, Mato Grosso conta com 32 Serviços de Assistência Especializada (SAE) distribuídos em municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Cáceres, Sorriso, Barra do Garças, entre outros.
O Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac), administrado pela SES, também possui um SAE, que funciona como referência para casos mais complexos e para municípios que ainda não dispõem desse serviço. O Cermac também capacita profissionais para o manejo clínico e terapêutico de pacientes com HIV/Aids e hepatites virais.